G7 pede que Irão deixe de apoiar e armar os Houthis do Iémen

G7 pede que Irão deixe de apoiar e armar os Houthis do Iémen

O Irão deve "parar de apoiar e fornecer armas" aos Houthis no Iémen, afirmaram os ministros dos Negócios Estrangeiros das Nações do G7 num comunicado conjunto antes da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Militares Houthis - Handout via Reuters

O G7 condenou "nos termos mais veementes" os ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita, acrescentando que a recente escalada dos combates contra as forças apoiadas pelos sauditas no Iémen representava uma ameaça à segurança energética regional e global.

A declaração surge antes da Assembleia Geral anual da ONU, em Nova Iorque, onde deverão discursar autoridades iranianas de alto nível. "Convocamos os Houthis a cessar imediatamente todas as ações militares, todas as ameaças e ataques contra a navegação civil, e a regressar ao processo político de boa-fé", afirmaram os ministros dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos.

Para o G7, "as ações repreensíveis dos Houthis constituem um padrão perigoso de escalada que ameaça agravar ainda mais o conflito, prejudicar o comércio internacional e criar instabilidade económica global."

Numa declaração à margem da sessão anual da Assembleia Geral da ONU, os ministros reafirmaram "a necessidade absoluta de garantir a segurança marítima permanente, bem como os direitos e liberdades de navegação em todo o mundo".

Os países membros do G7 esperam evitar uma perturbação duradoura nas cadeias de abastecimento globais de energia, fertilizantes e produtos alimentares.

O G7 manifestou ainda solidariedade aos governos do Iémen e da Arábia Saudita, após uma intensificação dos ataques dos Houthis, que ameaçam o comércio mundial e provocam uma escalada dos preços da energia.

"Afirmamos a nossa total solidariedade para com o governo legítimo do Iémen e o Reino da Arábia Saudita", declararam os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7.

"Olhando para o futuro, continuaremos a apoiar o governo legítimo do Iémen e reafirmamos o nosso forte compromisso com a unidade, soberania, independência e integridade territorial do Iémen", acrescentaram os ministros.

O bloco G7 é um fórum político e económico informal composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, embora a União Europeia seja praticamente um membro de facto com representação política permanente. Milhares de refugiados fugiram do Iémen nos últimos dias, depois de o grupo apoiado pelo Irão ter tomado territórios ao longo da costa do Mar Vermelho, incluindo áreas próximas do estreito de Bab al-Mandab, uma rota marítima crucial para o comércio global.

O retomar das hostilidades no Iémen, onde os combatentes antigovernamentais consolidaram o seu controlo sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, já afeta fortemente as exportações sauditas, com uma queda acentuada do tráfego na região.

Esta passagem, que liga a Europa à Ásia através do Mar Vermelho e do Canal do Suez, tornou-se ainda mais importante para a Arábia Saudita — o maior exportador mundial de petróleo bruto — desde que o Irão começou a bloquear o estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.

Os Houthis declaram-se parte do "eixo de resistência" liderado pelo Irão contra Israel, os EUA e o Ocidente em geral — ao lado de grupos armados como o Hamas e o movimento libanês Hezbollah.

Teerão já negou anteriormente fornecer armas aos Houthis e afirma que apenas os apoia politicamente.Mais de 150 mortos no Iémen em dois dias
Os combates no Iémen entre as forças governamentais, apoiadas pela Arábia Saudita, e os Houthis pró-Irão fizeram 154 mortos nos últimos dois dias, informaram à AFP fontes militares de ambos os lados.

"O saldo de mortos resultante de ataques sauditas, confrontos e disparos de artilharia nas províncias de Taiz, Al-Jawf, Marib e Saada chega aos 118", afirmaram fontes militares Houthis, enquanto fontes governamentais reportaram a morte de 36 militares das suas fileiras.


Sob pressão, a Arábia Saudita bombardeia diariamente as zonas controladas pelos combatentes no Iémen — sem conseguir, até ao momento, fazê-los recuar — e solicitou ajuda.

A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iémen, reconhecido internacionalmente, ainda não se pronunciou sobre os ataques relatados.

A ONU estima que, ao todo, mais de 120 mil iemenitas tenham sido deslocados pelo súbito aumento dos combates ao longo da costa do Mar Vermelho. No início deste mês, os Houthis, que já tinham tomado a maior parte das áreas povoadas do Iémen, assumiram o controlo do Bab al-Mandab, um estreito ponto de estrangulamento marítimo onde a parte sul do Mar Vermelho se liga ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico.

Num discurso na segunda-feira, o líder dos houthis, Abdel Malek al-Houthi, denunciou 760 ataques sauditas realizados até ao momento e alertou contra qualquer intervenção de aliados da Arábia Saudita, nomeadamente a Turquia e o Paquistão, signatários — em agosto — do pacto de defesa de Meca com o reino saudita.

"Aconselhamos os turcos e os paquistaneses a não se deixarem levar por ganhos políticos e financeiros obtidos junto do inimigo saudita", segundo declarações transmitidas pela agência Saba.

A guerra no Iémen eclodiu em 2014, quando os houthis assumiram o controlo da capital, Sanaa, e mais tarde de outras regiões, desencadeando, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.Apoio de Londres e Paris a RiadeO primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que o Reino Unido prestará apoio de "reabastecimento aéreo defensivo" à Arábia Saudita, envolvendo uma única aeronave britânica, um Voyager, sediada na base da RAF em Akrotiri, no Chipre.

Esta missão de apoio britânico limitar-se-á a dar apoio às aeronaves sauditas que defendem o país contra ataques de drones e mísseis, informou a agência britânica. 

Burnham disse que o anúncio surgiu após um pedido de "apoio militar" feito pela Arábia Saudita, ao qual concordou na sequência da recomendação do Secretário da Defesa, Wes Streeting, e do Secretário dos Negócios Estrangeiros, Ed Miliband.

Uma fonte diplomática informou a AFP que a França também prometeu apoio e declarou estar pronta para trabalhar na "proteção" da infraestrutura energética saudita através de uma "abordagem estritamente defensiva".

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, também solicitou apoio militar ao presidente Donald Trump, segundo relatos dos meios de comunicação norte-americanos.

Trump hesitou durante semanas sobre como responder ao pedido saudita de ajuda no combate aos Houthis, noticiou o New York Times na segunda-feira.

Donald Trump tinha dito anteriormente à Fox News que estava em "fase de decisão" enquanto avaliava opções para os próximos passos na guerra contra o Irão.

No domingo, as embaixadas dos EUA em todo o Médio Oriente emitiram novos alertas de segurança à medida que se intensificavam os combates entre os Houthis e a coligação apoiada pela Arábia Saudita no Iémen.

c/Agências
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